Não há como não falar do que aconteceu no
Rio de Janeiro na última quarta-feira.
É um misto de
revolta, choque, tristeza, indignação, sentimentos peculiares às grandes
tragédias que poderiam ser evitadas não fosse a eterna mania do brasileiro de
fazer conchavos, manobras obscuras e falcatruas pra se conseguir as coisas. Os
prédios que caíram, segundo um engenheiro apresentariam problemas estruturais
devido a sucessão de obras. Ora, se os órgãos que cuidam da regulamentação tivessem feito a de vida fiscalização,
certamente não aconteceria, mas não é praxe, pelo contrário, o normal é
negociar licenças e aprovações, as vezes não por dinheiro, mas por puro corporativismo,
já que são "colegas" de classe que se fiscalizam. Errada é a maneira
como são feitas, são superficiais, falhas, isto quando não são baseadas no
achismo. Evidente que há profissionais que levam a sério e produzem de acordo
com as normas, como também existem fiscais que fazem seu trabalho de forma
correta, além de exceções, são taxados de chatos.
Estamos falando da
perda de vidas humanas, e não há órgão de classe que possa regulamentar isso. Há uma clara negligência por
parte do governo que não remunera bem seus funcionários e fiscais e os deixa à
mercê de corruptores, que não hesitam em tirar vantagem. O que adianta o
prefeito do Rio de Janeiro aparecer na TV dizendo que irá dar suporte à família
das vítimas? Ele deveria era garantir que essas pessoas estão morando e/ou
trabalhando em lugares seguros, construídos com responsabilidade e sob rígida fiscalização.
Quem garante que foram? Até quando vamos no contentar com as soluções
pós-tragédias? Isto quando não aparecem políticos com ainda menos escrúpulos e
desviam as verbas destinadas ao socorro (vide tragédia das chuvas em
2011).
Infelizmente ainda
veremos outras notícias como esta, não só no Rio de Janeiro, o descaso não é
exclusividade carioca.
Mas há um período
em que todos se esquecem de todas essas mazelas, e ele não está longe, cantado
em verso e prosa por todos os veículos de comunicação, tido e havido como o
maior espetáculo da Terra ao ar livre, sim, o carnaval está chegando. Arrisco a
dizer que muitos que hoje estão dando entrevistas lamentando, exigindo,
reivindicando, esbravejando, daqui pouco menos de um mês estarão falando da sua
escola de coração, exaltando o trabalho da comunidade e vivendo dias de êxtase
na folia de momo. Estão errados? Não, de forma alguma, o carnaval é feito pra
isso mesmo, pra se divertir, só não esqueçam que o mesmo governo que não
fiscaliza obras é o que promove e FINANCIA essa festa. Nestes dias será mais
fácil encontrar os prefeitos, deputados, governadores e demais políticos
eleitos e pagos por todos nós, eles estarão acomodados em camarotes altamente
SEGUROS, construídos com o que há de mais moderno e funcional. Enquanto isso,
provavelmente as famílias das vítimas estarão ainda em busca dos seus direitos,
nós ainda estaremos indignados com a tragédia e o descaso e eles, bem, eles
estarão ocupados em alinhavar novos conchavos, manobras obscuras e
falcatruas.
Deus nos proteja.