Caros amigos e leitores, passado o Carnaval enfim parece que o Brasil resolveu engrenar, chavão antigo, verdade atual, ainda existe firmemente na cabeça de muitos que o ano por aqui só começa após sabermos quem ganhou o carnaval do Rio de Janeiro. Nada contra o carnaval, mas é preciso rever alguns conceitos.
Do início do ano pra cá já tivemos inúmeros acontecimentos que influenciaram a vida de todos, aumento de impostos, inflação comendo solta, violência sem combate e corrupção pra todos os lados, não faltam problemas nas cidades e estados, mas infelizmente o brasileiro nesse começo de ano parece só ter olhos para o banal, para o fútil. Há uma enorme inversão de valores e ninguém está se dando conta que, enquanto assistem reality shows e desfiles, as coisas vão de mal a pior.
Vimos a mídia dar um destaque absurdo pro fato de um integrante de uma escola de samba de São Paulo ter invadido a apuração e rasgado as notas dadas pelos jurados por não concordar com as mesmas, pronto. Comoção geral, o elemento preso pouco tempo depois teve seu "crime" qualificado de inafiançável, enquanto isso temos uma menina que foi morta depois de ser atropelada por um jet ski em plena luz do dia, dirigido por um menor de idade e até agora sequer temos alguém responsabilizado. Guardam com memória invejável o nome de um jogador que perde um gol feito numa partida de futebol, mas sequer lembram em quem votaram nas últimas eleições, o resultado disso se pode ver nas centenas de casos de desvio de dinheiro, favorecimentos e pagamentos de propina pra o nosso legislativo.
Não é possível que uma apuração de carnaval importe mais que um assassinato, não acredito que uma partida de futebol valha mais que monitorar nossos representantes. Quando os reais valores de moralidade e decência irão prevalecer? Até quando lamentaremos a morte de um inocente?
Estamos em ano de eleições, mais uma vez temos condições de renovar nossos representantes no legislativo municipal, a ferramenta está em nossas mãos, cabe a nós como patrões do dinheiro público escolher, fiscalizar e exigir que as coisas sejam feitas no mínimo de maneira transparente.
Pode não ser a solução definitiva, mas é um excelente começo.