quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Valores - Onde Foram Parar?

Caros amigos e leitores, passado o Carnaval enfim parece que o Brasil resolveu engrenar, chavão antigo, verdade atual, ainda existe firmemente na cabeça de muitos que o ano por aqui só começa após sabermos quem ganhou o carnaval do Rio de Janeiro. Nada contra o carnaval, mas é preciso rever alguns conceitos.

Do início do ano pra cá já tivemos inúmeros acontecimentos que influenciaram a vida de todos, aumento de impostos, inflação comendo solta, violência sem combate e corrupção pra todos os lados, não faltam problemas nas cidades e estados, mas infelizmente o brasileiro nesse começo de ano parece só ter olhos para o banal, para o fútil. Há uma enorme inversão de valores e ninguém está se dando conta que, enquanto assistem reality shows e desfiles, as coisas vão de mal a pior.

Vimos a mídia dar um destaque absurdo pro fato de um integrante de uma escola de samba de São Paulo ter invadido a apuração e rasgado as notas dadas pelos jurados por não concordar com as mesmas, pronto. Comoção geral, o elemento preso pouco tempo depois teve seu "crime" qualificado de inafiançável, enquanto isso temos uma menina que foi morta depois de ser atropelada por um jet ski em plena luz do dia, dirigido por um menor de idade e até agora sequer temos alguém responsabilizado. Guardam com memória invejável o nome de um jogador que perde um gol feito numa partida de futebol, mas sequer lembram em quem votaram nas últimas eleições, o resultado disso se pode ver nas centenas de casos de desvio de dinheiro, favorecimentos e pagamentos de propina pra o nosso legislativo. 

Não é possível que uma apuração de carnaval importe mais que um assassinato, não acredito que uma partida de futebol valha mais que monitorar nossos representantes. Quando os reais valores de moralidade e decência irão prevalecer? Até quando lamentaremos a morte de um inocente? 

Estamos em ano de eleições, mais uma vez temos condições de renovar nossos representantes no legislativo municipal, a ferramenta está em nossas mãos, cabe a nós como patrões do dinheiro público escolher, fiscalizar e exigir que as coisas sejam feitas no mínimo de maneira transparente.

Pode não ser a solução definitiva, mas é um excelente começo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Princípio do Caos.


Nunca foi tão flagrante o uso de greve em ano de eleição, todas em setores essenciais, que afetam diretamente à população. Tivemos a poucos dias atrás várias ocorrências na Bahia devido à greve dos policiais militares, no Rio De Janeiro existia a possibilidade de greve durante o Carnaval, o que seria um caos devido ao número de turistas que estarão na cidade, e presencio aqui, em Curitiba, a greve do transporte coletivo, que já dá um ar de apocalipse à cidade.

Mas em todas as greves citadas eu vejo algo em comum, e não estou falando do direito legítimo do trabalhador em reivindicar seus direitos, no caso da greve dos PM´s na Bahia o que se viu foi uma manobra meramente política, que nem de longe se tratava de defender os interesses dos trabalhadores, uma estarrecedora gravação de um policial que, juntamente com uma deputada, manipulava os próximos passos visando apenas criar desordem.

Pois bem, ainda assim vejo um cenário pior, aqui em Curitiba o cenário é bem pior, a paralização que deveria ser dos trabalhadores ganhou aliados no mínimo curiosos, donos de empresa de ônibus impedem que se cumpra a determinação judicial de manter uma porcentagem da frota rodando apenas com o intuito de forçar o aumento da tarifa, e por consequência aumentarem seus lucros. “Líderes” de sindicatos que se manifestam publicamente a favor da classe também estão comprometidos com a força política do município e se aproveitam pra fazer campanha enquanto a população padece com a falta de ônibus.

Mesmo que cheguem a um acordo já há prejuízo, não pros donos de empresa, não pros trabalhadores em greve que são amparados pela lei, o prejuízo mais uma vez vai pra conta do contribuinte, que paga seus impostos pra ver seus direitos serem desrespeitados, que ao fim dessa palhaça governo-empresarial de Curitiba vai acabar arcando com uma tarifa mais alta, sem sequer ter a garantia de que terá o serviço quando precisar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Preço do Sucesso.

Acompanhei com tristeza as notícias da morte de uma artista muito talentosa, mais uma vez a dependência química venceu e tirou de cena uma das melhores vozes que já ouvi. Whitney Houston foi mais uma vítima do mal que já nos levou Elvis, Amy, Marilyn e tantos outros, mas não estou falando apenas das drogas alucinógenas, dos entorpecentes ou das contravenções, o inimigo dorme ao lado e é vendido, ainda que sob receita, legalmente no mundo todo.

A história nos mostra que vários artistas fazem uso destas substâncias na tentativa de cumprir seus contratos e encontrar o mínimo de paz fora dos palcos, buscam a resistência física através de estimulantes e calmantes pra poder "desligar", o efeito sobre o organismo é devastador. Muitas vezes pra atender interesses de terceiros (empresários e contratantes) se submetem a maratonas sobre-humanas, o corpo claro, pede descanso e tudo vira um ciclo vicioso sem fim, ou melhor, com um fim anunciado e geralmente fatal.

Além destes fatos ainda há a intensa vida social, festas, eventos, premiações, parece não haver ego imune ao sucesso, todos gostam de reconhecimento, de ver sua obra engradecida e aplaudida por todos, mas e o preço que se paga, vale a pena? Sucesso às custas da saúde, é isso!? Creio que não, percebo isso de maneira diferente, e não se trata de excesso de humildade, apenas entendo que uma coisa boa não pode ser baseada em algo que causa dor e debilidade. 

O uso de drogas é a faceta mais triste do "show business", principalmente pelo fato do artista ser o maior prejudicado e dos fãs ficarem órfãos de seus ídolos, Whitney foi mais uma estrela que se foi e, infelizmente, não será a última, porque ao contrário da vida, a ganância não tem fim. 

Descanse em paz Whitney.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Dever x Paixão



A semana mal começou e não falta assunto. 

Greve de PM´s na Bahia, os abusos da polícia paranaense contra a população, a morte do Wando hoje pela manhã entre vários outros, mas uma manchete em especial me chamou a atenção. 

A falta de decência de um vereador de Curitiba, que além de faltar deliberadamente a uma sessão da Câmara Municipal para ir ao jogo de seu time de coração, ainda escarnece dos que o elegeram fazendo troça com o acontecido. Comentado em portais e telejornais, o ato do tal vereador deixa claro que nunca podemos nos entregar à tentação de garantir supostos privilégios, nem para o clube do qual comungamos a mesma paixão e menos ainda para benefício próprio.

Claramente eleito pelos torcedores da agremiação da qual é presidente, o dito vereador simplesmente ignora os deveres que exigem o cargo para o qual foi eleito, nunca foi destaque por apresentar propostas, emendas e muito menos soluções para o cidadão que o elegeu, não se dá sequer ao trabalho de "disfarçar" a tamanha cara-de-pau. Ora, faltar ao trabalho não chega sequer a ser crime, vão dizer alguns coniventes, mas apresentar atestados falsos para justificar a falta é. E é aí que a coisa começa a tomar proporções alarmantes, além do vereador, que deveria ser exemplo já que recebe dinheiro público como remuneração, fica maculada a imagem do "profissional" de medicina ou da área da saúde que lhe fornece o atestado frio, fica comprometida a legitimidade do poder público que acata o tal álibi em seus departamentos de pessoal e faz vistas grossas a tais práticas, e ao eleitor, já tão desiludido com a classe, fica a sensação de mais uma vez estar sendo assaltado em plena luz do dia, mais exatamente às 17h, dentro de um estádio de futebol.

Espero que a repercussão pelo menos sirva para que tais tipos não voltem a ser eleitos, já tivemos outros vereadores envolvidos em muitas outras falcatruas, de maior gravidade inclusive, e o que vejo é que alguns seguem se reelegendo, chegou a hora de mudarmos isso, nem que seja pra protestar depois, mas não dá pra deixar que as coisas continuem como estão. Bem hajam, é ano de eleição!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Segunda-feira de cinzas!

Olá a todos,

Semana passada vim aqui ressaltar e festejar a iniciativa do Bloco Garibaldis e Sacis, contente por ter em Curitiba pessoas que ainda entendem o espírito do Carnaval e mantém uma tradição há anos esquecida por muita gente. Lamentavelmente nem todos pensam assim.

Fui surpreendido no meio da noite de ontem com a notícia que o Largo da Ordem, local do desfile, havia se transformado em uma praça de guerra após a passagem do bloco. Vale dizer que tal violência em nada tem a ver com o intuito do grupo que promove a festa e muito menos com os verdadeiros foliões. Tal confusão se deu por dois motivos que, a meu ver, são igualmente preocupantes.

É sabido que pessoas mal intencionadas e que só pensam em se aproveitar da fragilidade de outros existem por toda a parte da cidade, não é exclusividade do Carnaval e muito menos do Largo da Ordem, não há prevenção e o policiamento como todos sabem é deficitário, sendo assim ficamos a mercê de gente que não respeita tipo algum de lei, vulneráveis e sem ter como nos defendermos. Pois bem, aí é que o bicho pega.

Moradores dos arredores do Largo da Ordem fizeram o que manda a cartilha da sociedade, incomodados e preocupados com a presença de certos elementos acionaram a polícia, que foi até o Largo da Ordem apurar e controlar a situação, conforme entrevista hoje em um canal de televisão. Não lograram êxito. A despeito da presença de crianças, idosos, mulheres grávidas e não menos importantes, pessoas que estavam ali pra se divertir, a polícia tratou de ir pra cima dos supostos "meliantes" que, infiltrados em meio à população, atiravam pedras e garrafas em direção aos policiais, e assim estabeleceu-se o caos, sem condições de deter quem estava criando a confusão, os representantes da segurança pública abriram fogo contra todos, causando ferimentos indiscriminadamente, medidas supostamente tomadas para evitar algo pior nas palavras do comandante do policiamento. Não há certos nem errados, só há perdedores! 

Perde o cidadão de bem, que paga seus impostos pra ser protegido e é alvejado! Perde a instituição Polícia Militar do Paraná, que de uma hora pra outra passa a ser vista como inimiga da população por conta do despreparo e destempero de alguns. Perde a cidade que cada vez mais figura entre as mais violentas do país. Perde o Carnaval um pouco do seu brilho, da sua alegria. 

Em mim pelo menos, a sensação é que o Carnaval acabou sem começar, em plena segunda-feira de cinzas.